me demoro no escuro do seu rosto
as mãos soltas
aquela janela encarcerada sob minhas costas
pesadas as cortinas dos meus sonhos
abertos
um surto me suporta,
o escuro
a sombra
o teu ventre derramado sobre o teu corpo ferrado
para onde vão as cicatrizes meu pai?
para onde vão os muros?
y as reticencias dos vestidos
sem encontro?
entrelaço os dedos sob o vento do meu desejo de ser nada
subo
desço
meto a língua pra fora
tomo uma gota
me alimento de lágrimas
de manhã acordo
tomo um café
e escuro é o meu rosto sob a xícara clara
chove no escuro,
molhada, não sei mais olhar
o teu rosto sob as máscaras da vida
tua imagem se parece com uma árvore morta
y o teu nome é escuro
raiz,
que na próxima vida
hei de ver nascer em mim
tal
vez
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