segunda-feira, 16 de abril de 2018

para onde vão as pétalas?

agora meu sexo
em estado líquido:
pétalas frescas a desfolhar
na rua..
esquinas mudas
                          da tua boca.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

de onde se faz o amor

corromperia a visão de um homem,
a liberdade

corromperia as eternas infâncias
correndo feito um lobo
com as asas presas entre os cílios

corromperia a liberdade,
a Liberdade

por isso as asas insistem
nascer
perto
mais perto ainda dos lábios,

da boca

terça-feira, 3 de abril de 2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

vem

vem,
dança comigo aquele poema
azul no meio da.
azul
perto do.

vermelho..

vem,
que eu aqueço algumas palavras
obscenas
no meio das tuas

no meio do
teu..

vai,
fode comigo esse poema
esquece a lamparina
enquanto o poema é inteiro
ar e efeito
armadura
seios
rigidez
estremecimento

vem,
tira a blusa desse poema
a calcinha
encontra a boca
as costas nuas
os dedos gotejantes
os lábios

vem,
pr'esse poema de perna aberta
e olhos fechados
que te espera

só as tuas asas sobre as minhas
emudece
esse poema
vou

terça-feira, 27 de março de 2018

a primeira vez de um novo poeta em minha vida

ele falava o melhor inglês
que eu não entendia

do que valem as palavras
quando as pessoas parecem falar de amor?

a morada do Veio

mas ele estava chegando

sentia o cheiro de sua camisa larga
branca

os olhos perdidos em imensidões
dos meus
lugar nenhum
onde sempre sempre sempre
habitamos quando estamos um pouco só

a boca encharcada de Iemanjá
enquanto dizia para alguém que ainda é tempo de Poesia

ele falou Tupã, e eu ouvi
antes mesmo de sua chegada

trovejei
também se diz que é assim que se cumpre o amor da tempestade
com o mar

eu vim de lá,
de onde não sei e ele é

ele vem daqui
de onde não sabe,
e vem

um só Veio
pairado no canto secreto das ausências

segunda-feira, 5 de março de 2018

linguagem de quem foge

tem dias que as pontas todas
os icebergs
as pirâmides
as facas e garfos
e as lascas de unhas
ou o fino fio da escova de dente
ou mesmo a ponta da língua

tudo aponta pra língua
y faz gritar o silêncio
que somente a poesia
abarca o movimento de
fuga

danza [con hilda]

sentou, hilda
as danças todas na minha boca

fugiram-me os passos
não sei qual ou o que

quem dança
voa

o poema é
                 feito
invisíveis,
hilda

agora ela também sabe

DOIS UM

a única certeza
é que os opostos 
não se atraem

por acaso, eles se encontram
e contam suas histórias

mas é sempre uma história completa
de dois
sempre dois

o um é uma memória
distante de agora