segunda-feira, 21 de agosto de 2017

presença

não estou
só

estou sempre
sob a companhia do
vento

promessa

vejo o meu corpo-ilha
estendido sobre a mudez
das horas

se eu disser que ainda
teamo
tu me verias inteira,
sem memória?

que há sobre o reflexo
dos segundos
uma vontade
uma saudade
uma volta

inteira entre um segundo y outro
o teu nome
mesmo sem te precisar

se eu disser que ainda,
o que?

você faria..

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

da poesia

se movia
poema sobre mim

as pernas de galhos frescos
se voando sobre as minhas

os dedos de gota
chuvosos sobre meu ventre

aquela sempre
margarida na boca

y aquele aquario nos olhos?

eu que sempre fui trapezista
demais
para caber em aquário

fui cabendo

me cavou uma liberdade no sorriso
y eu fui cabendo

mesmo que a gente sempre
vá embora

porque é isso que um poema faz
ele vem
mas VEM mesmo
pra ir embora


terça-feira, 15 de agosto de 2017

saturnica

lembrar os espaços da cama
onde um chocolate
ou outro
derretia
antes de ser devorado 
por dois
sorrisos

lembrar o dia que nossos sorrisos
se devoravam um ao outro

lembrar da sua mão sobre o meu corpo
em Fé

lembrar um tempo

um tempo de Fé 

na cama

espumosa,
ela gira entre os lençóis
ao som dos ventres

fico pensando
o que é
Fé..

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

agosto

ontem choveu no meu quarto bem no meio de um incêndio. eu metia meus dedos para conter o fogo y nada de você se afogar. nada de você apagar

choveu porque eu chovia

o fogo
o tempo das chamas

choveu
granizo

chuva daquelas que machucam
enquanto se está nela

choveu

era você em mim,
no que eu nunca mais havia encontrado

foi um sonho
daqueles que se acorda depois do ponto alto
de um trovão

sem saber o nome


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

rouxinol

o que fazer com esse canto que é
o teu sorriso
em nossa vida
de morte?

um poema meio puto

entrego tudo num poema

meus dedos
minha língua
meus joelhos
meus olhos fechados

no poema é possível
encontrar segredos
no depois

algo nunca escrito
ou revelado
[ algo possível de sentir ]
sem pensar,
sem criar

algo de verdade
de antes agora ou depois
depende do poema sem tempo
que vier

nunca quis guardar segredos
no poema
porque se existe mesmo epifanias
ela está logo no
depois de um verso

onde a mudez se instala,
corriqueira,
como se não fosse

é como o amor,
corriqueiro,

ele transcende

enquanto a gente enfia a mão por dentro
da blusa
y busca o bico marro
da vida

domingo, 6 de agosto de 2017

lateral

queixo
jeitos
curvas
peitos volumosos
derramados sobre os meus
também cheios de

uma pinta lateral,
porque não podia ser apenas
então era uma pinta
                                lateral
linda

que eu beijava y beijava y beijava

tinha a fome
tanta fome

fome de dedos
de unhas
de bocas y bocetas

tinha fome de águas
de aquários
de trapézio
de profano
[às vezes de sagrado]

tinha fome de trapezista

y eu já disse que o que me faz te Amar
é o sem tamanho da
fome?

então era um amor lateral,
daqueles de qualquer lateral
de qualquer

sem lugar

era uma amor quase
inventado

poético
alucinado

um amor borda
um amor indo
embora

múltiplo, inteiro

todo ido
embora

era o amor,
lateral de um beijo molhado

o amor feito um choque
o frizzzzz

a luz no seu quando
rasgando escuros

era o amor
com um nome [de novo]
no meio
como aquele Todo que não se sabe
D'le