segunda-feira, 18 de maio de 2015

janela

aqui está sem portas
e lá de baixo alguém pede socorro

salto.

sobre mãos e manhãs...

se minhas mãos
fossem manhãs
elas te colheriam ao calor do dia
e deixaria sob tua existência um pedaço seu de sol
e roubaria o girassol dos teus ombros
para enfeitar a lua

se minhas mãos te fossem manhã,
eu te puxaria pro outono,
e te mostraria a loucura do céu desestrelado
desvendaria algumas nuvens
e te contaria a formula do arco-íris de dentro dele,

e eu te acordaria aos beijosmãos

mas minhas mãos só mãos, 
e as manhãs estão tão distantes de nós
agora

terça-feira, 12 de maio de 2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

gaita

ninguém sopra o amor
para a gaita do meu coração
como você

poesia

é com a boca cheia
de uvas
que escrevo este poema
no pé dos teus
cachos de 
palavras ...

e eu quero dizer alguma coisa que faça
um sentido de líquidos estourados e vivos

e eu quero dizer alguma
coisa vazia que me transformo quando falo

e eu quero me pisar inteira de você
e amor e poesia e ternura escorrendo da boca
ao pescoço
eu quero as palavras deste poema
que você me causa

eu quero, juro,
que
quero você na minha boca
vazias uvas 
explosões de uvas
roxeado brilhante no selvagem dente
do verbo

eu quero mesmo

mas ainda estou inteira
boca cheia vulvas
uvas 
e teus cachos não são

uva sou
e uivo em lilás

quarta-feira, 29 de abril de 2015

efeito gaiola

enfeitou gaiolas 
e me deu pulseiras
sedas cetins
medidas de alturas
cronometradas asas

mas pássaros nascem vestidos de
asas voos idas
nudez silenciada
no tempo das asas
não existe tempo
e ninguém é céu

segunda-feira, 6 de abril de 2015